1. EDITORIAL 31.7.13

"A VOLTA DO CACIQUE PETISTA"
Carlos Jos Marques, diretor editorial 

A reentrada em cena na semana passada do ex-presidente Lula  a mais nova jogada poltica do tabuleiro eleitoral de 2014. O cacique do PT veio para defender com unhas afiadas sua sucessora Dilma. O movimento tem razes de ser. Em meio  nvoa de incertezas que encobriu a economia brasileira, acirraram-se por esses dias os ataques de adversrios  e mesmo dos que se dizem aliados  contra o governo, visando naturalmente s urnas. A presidenta ainda goza de uma confortvel posio nas pesquisas, mas viu recuar os nmeros dos que aprovam sua gesto logo aps os movimentos de protestos pelas ruas do Pas. Na condio de maior vidraa, seria natural e at previsvel que Dilma se convertesse em alvo principal, como acabou ocorrendo. O fato  que rivais e correligionrios desgostosos encontraram nessa fraquejada dos ndices de popularidade dela a grande oportunidade para dinamitar suas pretenses  reeleio. Envolvida no dia a dia de assuntos nacionais, sem tempo para o debate ideolgico ou direito de entrar numa campanha antecipada, Dilma viu-se acuada. Com histrico traquejo de palanque, Lula saiu em socorro. Realinhou apoios. Cobrou engajamento do partido  que foi a pblico com o aviso mexeu com Dilma, mexeu conosco. E tratou de provocar a oposio lembrando que l atrs foram seus governos que entregaram a inflao fora da meta. A pauta econmica certamente vai dominar o embate poltico desde j. Analistas apontam que a sociedade, depois dos avanos conquistados, est em busca de mais e mais melhorias. O emprego, o dinheiro no bolso para consumir e o custo de vida sero os fiis da balana. No por menos, Lula focou suas baterias no tema da carestia. Disse ter certeza de que tanto Dilma como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vo batalhar para extirpar esse mal. Na reaproximao planejada, em evento na Bahia, Dilma lanou afagos ao PT. Disse confiar que o partido ter mais dez anos no poder. Dentro das hostes da legenda, h quem advogue o relanamento de Lula como opo para manter  tona tamanho objetivo. Seria, naturalmente, um tiro no p porque descredenciaria o que foi feito nos quatro anos do mandato da presidenta. O cacique Lula tem a exata noo desse risco e descarta por completo a hiptese. Quer mesmo chacoalhar a turba sem cargo ou compromisso. Por isso voltou.  

